quinta-feira, 27 de agosto de 2009

o homem e o cosmos - excerto de Dane Rudhyar - belíssimo!
















"... Nenhum indivíduo existe no vácuo. Ele se relaciona com outros indivíduos, com grupos de vários tipos, com vastas coletividades de homens organizados em sociedades, em nações, em categorias culturais e religiosas. Está essencialmente unido à humanidade. É um átomo de consciência dentro do vasto oceano de inteligência, do qual os incontáveis exércitos de estrelas são borrifos de luz lançados pelas ondas, quando esse oceano se quebra nas praias do nosso mundo de espaço e tempo. Como o destino do indivíduo poderá estar separado da vasta teia de destinos universais? Como o momento fugaz da sua primeira saudação ao universo - seu choro de nascimento - estaria isolado dos ciclos do eterno fluir e da eterna mudança do tempo universal? Assim como toda força e toda massa influencia e recebe influência de cada uma de todas as outras forças e de todas as outras massas, assim também a individualidade de um homem influencia e é influenciada por todas as outras unidades de consciência individual. Não pode haver separação, mesmo quando há um isolamento temporário. Podemos olhar para as formas coloridas da tapeçaria do ser e admirar as curvas das pequeninas laçadas dos fios que criam essas formas; mas nosso entendimento é deveras pequeno se não conseguimos perceber que esses fios são unidades longas, tecidas por dentro e por fora, unidas pela trama e pela urdidura do universo"...




(Rudhyar, Dane. A prática da Astrologia. Ed. Pensamento)


(imagens do querido Sergio Lucena)





ATENÇÃO: NOVOS HORÁRIOS

Caros amigos, os horários dos cursos foram rearrajnados!

Ainda há tempo de se inscrever!!!!

terça-feira, 4 de agosto de 2009

cursos 2o semestre 2009 - inscreva-se!

ASTROLOGIA E LITERATURA 1
Roberta Ferraz

O curso ‘Astrologia e Literatura 1’ tem como objetivo experimentar leituras cruzadas entre a astrologia e a literatura, possibilitando que cada uma dessas linguagens jogue luz e acrescente leituras à outra. Trabalharemos apoiados na noção de símbolo e arquétipo. Este último é conceito que foi introduzido na ciência contemporânea pelo fundador da psicologia analítica K. G. Jung. De acordo com a leitura de Meletínski, Jung é enfático quanto ao caráter metafórico dos arquétipos (e não alegórico), que seriam grandes símbolos, muitas vezes plurívocos, todos ricos em suas vivências dentro do processo de individuação. Sabemos que a literatura tem como um dos seus procedimentos criativos a construção metafórica, o que nos permite fazer analogias entre a literatura, os arquétipos e os símbolos da linguagem astrológica. As obras literárias selecionadas para o curso serão trabalhadas segundo esse objetivo, ou seja, serão lidas e discutidas visando a exploração do tratamento específico que cada obra atualiza e expande do arquétipo de cada signo.




Aula 1 – Apresentação do curso: conceitos e caminhos para a leitura do texto literário segundo os princípios arquetípicos atuantes em casa signo astrológico

Aula 2 – O signo de ÁRIES

Aula 3 – “A Dor”, de Marguerite Duras
“A fera na selva”, de Henry James

Aula 4 – O signo de TOURO

Aula 5 – “Do Desejo”, de Hilda Hilst
“Pequenas Misérias da Vida Conjugal”, de Honoré de Balzac

Aula 6 – O signo de GÊMEOS

Aula 7 – “Primeiro Fausto”, de Fernando Pessoa

Aula 8 – O signo de CÂNCER

Aula 9 – “Pela Noite”, in ‘Triângulo das Águas’, de Caio Fernando Abreu
“As crianças Terríveis”, de Jean Cocteau

Aula 10 – Discussão e Encerramento




10 aulas semanais de 1h30 cada (3 meses)
Valor: R$ 120,00 por mês
Turmas de até 8 alunos
TURMA 1 – início 15/09 (terças-feiras 10h30-12h00)
TURMA 2 – início 16/09 (quartas-feiras 19h00 – 20h30)

cursos 2o semestre 2009 - inscreva-se!




FILOSOFIA E ASTROLOGIA
Gabriel Kolyniak

O curso ‘Filosofia e Astrologia’ pretende se constituir como um processo de articulação do saber astrológico à reflexão filosófica. A abordagem da filosofia, em sentido contrário ao que é em geral estabelecido no ensino oficial, não se prenderá à história da filosofia, mas sim a uma possível transversal entre as obras de autores cujas idéias podem ser, em alguns pontos, contraditórias. O objetivo deste processo não é o de instrumentalizar astrólogos com a sofisticação da linguagem filosófica, mas sim o de pôr em suspeita os diversos sistemas morais que pretendem se justificar por meio da astrologia. Espera-se que os alunos sintam-se à vontade para duvidar de qualquer verdade estabelecida, em prol da revitalização da astrologia como uma ciência genuinamente emancipatória.
Obs. Não é necessário que os alunos tenham conhecimentos previamente adquiridos sobre filosofia. Os textos utilizados no curso serão oferecidos durante as aulas.



Aula 1: A astrologia e suas articulações com outros saberes; especificidade da filosofia.

Aula 2: Problematização das concepções vinculadas ao tempo construídas pelo pensamento ocidental: concepções míticas.

Aula 3: Problematização das concepções vinculadas ao tempo construídas pelo pensamento ocidental: a filosofia grega. Problematização das concepções vinculadas ao tempo construídas pelo pensamento ocidental: concepções cristãs: platonismo (Santo Agostinho) e aristotelismo (Santo Tomás de Aquino).

Aula 4: Problematização das concepções vinculadas ao tempo construídas pelo pensamento ocidental: Duns Scott, Espinosa e Leibniz.

Aula 5: Problematização das concepções vinculadas ao tempo construídas pelo pensamento ocidental: filosofia moderna.

Aula 6: Problematização das concepções vinculadas ao tempo construídas pelo pensamento ocidental: filosofia contemporânea.

Aula 7: O problema do conhecimento. Linguagem e representação: possíveis abordagens astrológicas.

Aula 8: De Aristóteles a Galileu: concepções cosmológicas.

Aula 9: De Aristóteles a Galileu: concepções cosmológicas e decorrências para o ethos do astrólogo.

Aula 10: Filosofia e Alquimia: Mercúrio.

Aula 11: Filosofia e Alquimia: Urano.

Aula 12: Arte e Filosofia: Netuno.



Gabriel Kolyniak, músico, escritor e astrólogo, licenciou-se em Letras na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. Em 2008, publicou o livro de poemas Partilha (São Paulo, Nankin, com apoio da Secretaria de Estado da Cultura - PAC), no qual é delineada uma estética que o encaminhou ao diálogo com o hermetismo, particularmente com a astrologia e o tarô

12 aulas semanais de 2h cada (3 meses)
Valor: R$ 140,00 por mês
Turmas de até 8 alunos
TURMA 1 – início 17/09 (quintas-feiras 10h00-12h00)
TURMA 2 – início 17/09 (quintas-feiras 20h00 – 22h00)

cursos 2o semestre de 2009 - inscreva-se!





CAMINHAR ASTROLOGIA 1
Roberta Ferraz



O curso ‘Caminhar Astrologia1’ tem como princípio capacitar o aluno para um primeiro contato com o universo astrológico. É importante dizer que percebemos a mandala astrológica como um caminho individual que nos vincula ao sistema solar em que rodamos e dançamos. Um caminho que nos vincula e que nos guia, por um percurso que se quer sempre ascendente, numa espiralada consciência que se abra cada vez mais para a riqueza múltipla de nós mesmos e nossos potenciais. A mandala astrológica não só é nosso mapa particular como também uma janela para o mapa do outro, já que os símbolos e energias partilhados em cada mapa, são ainda os mesmos em todos eles. Ali nos diferenciamos e nos reunimos, com o cosmos e com o humano, nos quais participamos com a nossa vida. Seguindo essa linha, iremos partilhar das bases do conhecimento astrológico, sempre tendo em vista a sua importância nos tempos atuais e a sua relação com outras linguagens do conhecimento de si, como a arte e a psicologia.



Aula 1 – Abertura e Passeio pelo Curso: uma visão percorrida ao todo do curso, apontando nele os princípios gerais que me conduziram a formulá-lo tal como o fiz, lendo na astrologia um guia qualitativo do caminho amoroso;

Aula 2 – Intuir, imaginar, sentir: a dinâmica do sistema solar, a viagem qualitativa de cada planeta em seus ciclos próprios, sua relação com as outras partes do sistema, sua relação com a terra, sua relação conosco;

Aula 3 – Breve história da astrologia: os temperos próprios de cada momento histórico em sua elaboração da linguagem astrológica; os mitos, as culturas e o saber espiritual de vinculação homem-todo ao longo dos séculos; a importância da astrologia para os tempos atuais;

Aula 4 – O princípio da vida: meditações sobre os 4 elementos – fogo, terra, ar e água;

Aula 5 – Os jogos das correspondências: O Quadrado, o Triângulo, o Círculo e a Espiral; combinações entre os 4 elementos e as suas 3 dinâmicas – cardinal, fixo e mutável; as diversas dinâmicas de leitura que se entrelaçam; visualização de um mapa como exemplo;

Aula 6 – Percorrer a mandala astrológica: o zodíaco como um caminho espiralado da consciência;

Aula 7 – Elemento fogo: Áries, Leão e Sagitário ou as qualidades das ações;

Aula 8 – Elemento Terra: Touro, Virgem e Capricórnio ou as qualidades da matéria;

Aula 9 – Elemento Ar: Gêmeos, Libra e Aquário ou as qualidades das relações;

Aula 10 – Elemento Água: Câncer, Escorpião e Peixes ou as qualidades dos afetos;

Aula 11 – Os jogos das correspondências II: os 6 eixos e sua complementaridade;

Aula 12 – Ler com amor: as opções mais amorosas para a compreensão dos astros e da pessoa; a transmutações das qualidades de cada signo rumo a uma compreensão mais afetiva do todo e do ser humano; partilha de nossas compreensões do curso para uma ética astrológica;
12 aulas semanais de 1h30 cada (3 meses)
Valor: R$ 120,00 por mês
Turmas de até 8 alunos
TURMA 1 – início 14/09 (segundas-feiras 14h30-16h00)
TURMA 2 – início 15/09 (terças-feiras 19h00 – 20h30)
TURMA 3 – início 16/09 (quartas-feiras 09h30 – 11h00)

domingo, 21 de junho de 2009

gestação e anunciação

os cravos, brancos e vermelhos, que eu levei para Pascoaes, quando fui visitar
a Quinta em que ele viveu.... nesta foto, vejo a 'capelinha dos milagres', que
fica na estrada que vai dar na Quinta.... essa capelinha foi muito querida
pelo meu querido poeta



Digamos que o ESPAÇO MARANUS está quase pronto para dar sua primeira respiração. Nessa aurora, já conto um pouco dos caminhos que me trouxeram até aqui. Tudo nunca começou, já tendo sempre começado, mas lá pelos 16 anos, após assistir a uma palestra do querido Cid Marcus Vasques, em Ribeirão Preto, sobre 'eros', escutei o bombear do sangue, a estrela-dalva dos caminhos: astrologia. Fiz meu primeiro e querido mapa com esse homem que será sempre meu mais caro professor e amigo. Escutava e re-escutava sem fim aquela fitinha que ele me mandara, de São Paulo. Um rumo se aprumava: vir a São Paulo, e estando aqui, procurá-lo.

Cheguei em 1999, para as faculdades, as caminhadas na Av Paulista, sempre tão boas para minha lua no meio-do-céu, um certo carismático apreço pelas multidões, e os cursos semanais na Palas Athena. Foram anos frequentando essa maravilhosa Associação. Depois, outros cursos na Fundação Oscar Americano, e sempre o diálogo rico, a troca de livros e os encontros para cafés numa esquina da cidade: minha convivência com Cid Marcus, a entrada criteriosa e apaixonada pelo caminho vasto dos astros.

Dentro dessa meada, outra paixão ascendente: Portugal. Primeiro, Sá-Carneiro. Depois Almada, Pessoa, e enfim, a descoberta do homem que amava ter nascido no 'dia mais triste do mundo': Teixeira de Pascoaes. Os mitos portugueses, um traçado por dentro da universidade, com pesquisa e tempo dedicados, a esse campo ultramarino, fascinante, perigoso, cheio de água, que é Portugal. Duas flechas assopradas ao céu: Portugal, astrologia. E, de algum modo, misterioso, um homem que me cativou, unindo essas pontas: Pascoaes.

Quando li 'Marânus', já bem depois, em 2003, antes de minha primeira ida ao país do Destino, fiquei noturna, mareada, afugentada: havia os anjos, havia uma mata de neblinas: havia isso tudo no mais trivial do dia-a-dia, dentro do barulho nauseante e ambíguo da cidade em século novo. Havia uma profunda necessidade de ritmo e de ritual, uma auto-descoberta como cápsulas diárias, tomadas como uma memória do futuro, um outro tempo habitado fora do tempo, lua-saturno me arando o mapa, fechando-o para uma abertura de sentidos mais difíceis, e estranhamente, mais reais. Era como tudo começou a se fazer sentir em mim.

No final de 2008 acabei o mestrado, justamente sobre o retorno dos mitos portugueses, e de todo um imaginário, ao espaço do debate cultural contemporâneo em Portugal. Estudei a revista 'Nova Renascença'. Com o término desse longo processo de escrita e leitura, fui novamente a Portugal.

Já outono: primeira vez que eu via e cheirava a tonalidade dessa estação. E, guiada por essa despedida das cores, por essa entrada e contração - concentração, cheguei a Amarante, e nela, à casa do Pascoaes. Fui muito bem recebida por Maria Amélia Teixeira de Vasconcelos, que fora casada com o sobrinho-afilhado do poeta, e que convivera alguns anos com ele. A quinta, imensa, invernal, parece ter sido coberta por uma fina membrana, conservando-a com os aromas e os sons de tempos já submersos. Um outro Portugal ficou guardado naquela casa, espécie de túmulo e semente, de energias que agora só são dispostas a quem cave com muita atenção esta terra selada. Maria Amélia abriu as partes da casa em que Pascoaes viveu, dormiu e trabalhou. Tudo continua ali, até os últimos cigarros feitos nas mãos do velho homem, os livros lidos, as pedrinhas que ele recolhia, nos riachos e beiras, em seus passeios - que imagino matinais - pelas margens do Tâmega. Ali o mirante, que Pascoaes mandou construir quando escrevia "Maranus" e em cujas paredes tatuou de punho próprio os primeiros versos - outros - do poema, em que o poeta encontra o poema e ambos se amam, para da mesma janela subjetiva, ver o mundo:





Maranus este triste vagabundo
Aqui neste mirante
Donde se viste o mundo
Compôs em verso pobre, a sua História Andante





foto que tirei de dentro do quarto do Pascoaes, olhando para
sua escrivaninha e estantes de livros...


Posso ainda sentir a temperatura do vento frio do Marão. E ver novamente a extensão da paisagem cuja imagem alargada é o próprio Pascoaes, em mim. Voltei a São Paulo e idéias sobre um doutorado em Pascoaes começaram a ressoar. Mas não. Ou não ainda. Cravei a mão na escrita, entrei em paragens de outras vozes (Brasil, poetas jovens, alteridades, éticas, astrocaracterologia), outros estudos apontaram. E, de repente, num outro repente uraniano, o seu clarão: era hora de pôr a mão na massa. Trabalhar a sério esse continente de amor que em mim se chama o serviço da astrologia, o estudo da literatura e a escrita. Esse triângulo que me dá mundo e que me infla os pulmões agora está prestes a ser na vida, ser com ossos, estruturado para melhor dar, oferecer, acolher: é assim que se gestou o ESPAÇO MARANUS, criança antiga que eu sou, e que agora me mostra a face e que agora caminha pelo mundo, feliz e imenso pelo encontro com os outros, com as pessoas e suas próprias guias, as pessoas e seus continentes, seus labirintos e rotas que arfam e ondulam dentro daquilo que chamamos 'mapas astrais'.

É Pascoaes quem escolhi para ser meu mentor e cuidar desse pequeno ponto que agora vem se estabelecer na cidade de São Paulo, aberto a tudo e a todos que vêm em busca da espontânea força circular da vida. Em datas de quase, como é esse domingo de 21 de junho, agradeço já e abro os braços a esse novo passo da vida em direção à vida. Brindo com todos que me trouxeram pela mão quente até aqui, todos os amigos e companheiros e irmãos, todos, todos. O Espaço Maranus é de todos vocês, e dos que estão ainda por vir. Oxalá, Pascoaes. Oxalá, pessoas luminosas que fizeram meu caminho.



Em alguns dias, se tudo tiver que ser, nasce mais uma centelha, mais um espaço totalmente destinado às trocas e aos afetos, sob a guarda mais doce de um sonho: em 2005, num sonho, numa noite, encontrei-me com Pascoaes. Estava eu numa roda com jovens, todos um pouco agoniados em relação ao futuro, jovens que queriam descobrir novas maneiras de se aproximar dos outros e tentar a comunhão. A sala era contemporânea e térrea. De repente - outro outro repente - chega Pascoaes. Nós estávamos - os jovens - sentados no chão. Ele sentou-se numa cadeira de palha, do meu lado. Só escutou, escutou o rumorejar daquelas pessoas todas, que em conversas paralelas, pensavam e ouviam os demais. Ele escutava a todos, ao mesmo tempo. Eu fiquei quieta, observando-o. Então, ele me viu. Ficamos nos olhando por um tempo, e os olhos iam conhecendo o significado da ternura. Ele, muito idoso já, levantou as mãos trêmulas, passou a mão na minha cabeça e levou-a para pousar em seu colo. Só isso. Depois, voltou-se para a grande roda e continuou a escutar as pessoas. Eu lá fiquei, em estado de graça, com a cabeça deitada no colo daquele homem.

Ouvir, escutar: grande arte. Que eu aprenda contigo, querido Pascoaes, essa delicadeza. E que teu colo continue amparando o que há entre meu rosto e o chão, para que o encontro se dê na terra, todos sentados no chão, irmãos, desenvolvendo fio a fio o que pela primeira vez apreendi naquele olhar: ternura.





axé, evóe, bem-vindo Espaço Maranus

bem-vindos, todos os seres que olham ternura





um beijo

Roberta Ferraz